Irmãos gêmeos celebram 100 anos e doam presente a asilo de Porto Alegre

Godofredo e Francisca festejaram cercados pelos mais de 40 descendentes. Pedido foi leite para doar a entidade que auxilia 150 idosos na cidade.

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As mãos entrelaçadas dos gêmeos Godofredo Fay Neto e Francisca Fay Medina revelam uma parceria centenária. Na tarde deste domingo (3), os dois celebraram o aniversário de 100 anos em uma festa na Zona Sul de Porto Alegre, cercados pelos mais de 40 descendentes, entre filhos, netos e bisnetos, e com direito a um bolo para cada irmão, como mostra reportagem doFantástico (veja no vídeo).

O presente, no entanto, não é para eles, mas para os 150 idosos atendidos pela Sociedade Porto Alegrense de Auxílio aos Necessitados (Spaan), que não têm a sorte de contar com uma prole tão extensa. “Pedimos que trouxessem café ou leite, para levar para o asilo, pois eles estão necessitados. Fiquei contente quando eles resolveram fazer”, conta Francisca, que não se importa em ficar com as mãos fazias. “O que vou fazer com presente, velha como estou”, brinca.

De mão dada com o irmão, Francisca diz que eles sempre foram “muito agarrados”. “O que acontecia com ele, acontecia comigo, o que acontecia comigo, acontecia com ele”, relembra a idosa, que acredita que a vida dos dois irmãos era cheia de coincidências. “Seguido ele fazia um negócio, eu também fazia de outro lado, de outro jeito. Eu adoecia, ele também adoecia junto”.

Há um século, quando os irmãos nasceram, Wenceslau Brás era o presidente do Brasil e O Guarani, o filme do momento. Francisca conta que ela e o irmão foram prematuros e, na época, houve quem apostasse que resistiriam.

“Nascemos de sete meses. Só os gravetinhos vestidos de pele, muito, muito pequenininhos. As pessoas dizem que a minha mãe mostrava de faceira, e eles diziam: ‘enrola isso, isso vai morrer ligeiro’. Ela pegava a vassoura e corria as visitas a pau”.

Mas a mãe não desistiu, os bebês sobreviveram, cresceram, tornaram-se adultos, casados e, depois, viúvos. Neste final de semana, completaram mais de 52 milhões de minutos de vida, 876 mil horas ou 36,5 mil dias. “Nunca pensei”, diz Francisca, questionada sobre o segredo da longevidade.

Já o irmão sabe bem como conseguiu tornar-se centenário. Além de recomendar a abstinência de álcool e cigarros e a boa alimentação, ele afirma que é preciso estudar. “É uma necessidade. O homem, não estudando, fica analfabeto, não lê nenhum livro, nenhum jornal. É uma vida muito triste”, adverte o idoso.

A felicidade também é importante para Francisca. “Viver de bem com a vida, estar sempre disposta a tudo, nunca brigar com ninguém”, acrescenta.

Carinho da família e exemplo
O carinho da família também é importante para os gêmeos. Francisca tem quatro filhos, sete netos e sete bisnetos, mas em breve mais uma vida será gerada na família dela. “Por enquanto, só tem um projeto”, diz a bisa que não abre mão de conhecer o oitavo bisneto. “Se Deus quiser”.

Filha de Francisca, Paula beija a mãe enquanto fala sobre o carinho que sente por ela. “A gente a ama de paixão. Cuidamos dela sempre e seguimos os conselhos dela. Ela sempre tem um conselho bom para dar”, diz.

Também não faltam descendentes de Godofredo: quatro filhos, 10 netos, e 10 bisnetos. “Sempre foi um pai exemplar, sempre preocupado com os filhos, sempre ajudando”, diz Paulo, um dos filhos. “Sempre foi uma pessoa correta. Sempre foi”, garante, reunido com outros familiares, ao lado do canto do salão de festas repleto das caixas de leite que serão destinados ao asilo, mostrando que, depois dos 100 anos, Godofredo segue dando bons exemplos.

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