Atletas contam como driblar a ansiedade na reta final para a Rio 2016  

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O desejo de ser mãe já existe há um tempo, mas é adiado a cada quatro anos para a atleta de luta olímpica Aline Silva. O sonho vem sendo adiado por causa da busca incessante da lutadora pelo lugar mais alto em uma Olimpíada: a conquista da medalha de ouro.

“A vida de atleta é definida de quatro em quatro anos. Eu sonho um dia ser mãe. Eu programo isso de acordo com o ciclo olímpico. O dia que eu parar, quem sabe? Nossa vida toda é programada de quatro em quatro anos. E não são só esses últimos quatro anos que contribuem. Para chegar lá e competir bem nos jogos é toda a carreira”, conta.

A Rio 2016 será a primeira Olimpíada de Aline. E a primeira prova da lutadora – de 29 anos e que treina e compete desde os 15 anos – será no dia 18 de agosto, treze dias depois da cerimônia de abertura. Para segurar a ansiedade, Aline Silva “se fecha” na concentração.

“Não sobra muito tempo para expectativa, porque a gente vai estar treinando muito duro. É uma hora de mais concentração, ainda, de se fechar. Ver as outras pessoas competindo e ver os brasileiros defendendo o nosso país, acho que dá mais um pouquinho de motivação, inspira a gente em continuar. É reta final e não há muito mais o que fazer, mas é uma hora de concentração. Acho que não sobra muito espaço para expectativa não”, conta.

Aline disse que o foco e estar bem e reproduzir tudo o que tem feito nos treinos. “Essa é a parte mais importante, independentemente do resultado. Ter conseguido percorrer o caminho perfeitamente do jeito que planejei. Cumprir com tudo isso, já é uma vitória”, revelou.

Canoagem

A canoísta Ana Sátila, 20 anos, aposta no esquema de preparação dos últimos quatro anos e na proximidade da família para driblar o nervosismo na reta final.

“A gente tem vindo bem de anos anteriores. Agora, é importante não mudar nada e continuar do jeito que é acostumado a treinar, se alimentar e descansar bem. Nos Jogos Olímpicos, vai ser a mesma coisa e tentar dar o seu máximo, colocar toda a sua experiência e continuar concentrado e manter a calma”, disse a atleta de canoagem slalom na categoria K1 feminino. não há motivo para alterar nesta reta final para os jogos.

Quando a pergunta é sobre o que a deixaria satisfeita neste momento, a resposta é rápida: “Uma medalha nos Jogos Olímpicos, muito satisfeita. Uma medalha de ouro para ser específica. Acho que o Brasil tem grandes possibilidades ainda mais na minha categoria”.

A mineira da cidade de Iturama aposta em um bom desempenho do time brasileiro na canoagem slalom. O país chegou a três finais da Copa do Mundo do esporte. “Tudo pode acontecer na canoagem slalom, desde você ganhar ou você não conseguir passar para a final, mas agora é continuar concentrado, focado no objetivo final que é passar para a final e depois a medalha. Acho que o Brasil vai ter um bom resultado. É só continuar focado que o resultado vai vir”.

“Puxa a corda e deixa que Deus guia a flecha”

O atleta de tiro com arco recurvo a 70 metros, Marcus D’Almeida, de 18 anos, já tem um lema que o acompanha e ajuda a manter a calma nas provas. “Gosto muito de uma frase que me acalma que é: ‘Puxa a corda e deixa que Deus guia a flecha’. É isso que eu vou pensar no dia. Vou puxar a corda e deixar que Deus guie a flecha. É uma maneira de se relaxar? É. Para mim é”, conta.

“A palavra constante é a que a gente usa internamente. É esse trabalho que a gente faz. Se você ficar nervoso, o seu batimento baixa ou fica muito alto. Aí você sabe como pegar de volta”, afirmou.

O atleta destaca que a equipe de tiro com arco vem treinando forte e este ano já se classificou para duas finais de bronze em copas do Mundo, resultado de seis anos de dedicação e investimentos. O treinamento diário de Marcus D’Almeida dura até 9 horas, sendo seis horas em campo, além de atividades de academia, massoterapia, fisioterapia, sessões com a psicóloga e cuidados com a alimentação. “A equipe está mostrando que o trabalho que estamos fazendo é sério e os Jogos Olímpicos são mais um passo para este trabalho. Que seja um bom resultado para a gente”.

Marcus tem ainda o apoio da mãe, a contadora Denise Carvalho, de 53 anos, que sempre acompanha o filho. Nesta semana, ela participou da apresentação dos uniformes que serão usados pela delegação brasileira nas cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de 2016. Apesar de não participar da abertura, pois irá competir no dia seguinte, Marcus foi um dos atletas a desfilar o traje.  “O Marcus não vai desfilar, porque já compete no dia 6, mas acredito que todos os atletas se sentam emocionados e bonitos para desfilar. Se Deus quiser no encerramento ele estará”, disse a contadora.

Cristina Índio – Agência Alagoas

10/07/16