Votação do 1º turno é encerrada na França; projeções apontam Macron e Le Pen na liderança

Pesquisas mostram que a disputa será acirrada entre os quatro principais candidatos. Se houver segundo turno, ele ocorrerá em 7 de maio.

A votação do 1º turno da eleição presidencial francesa, para decidir o sucessor de François Hollande, foi encerrada às 15h (horário de Brasília). Projeções divulgadas pelo jornal francês “Le Figaro” mostram Emmanuel Macron e Marine Le Pen empatados, com 23% dos votos da votação do 1º turno na eleição presidencial francesa. Já François Fillon e Jean-Luc Mélenchon teriam 19%.

Segundo estimativa do instituto Ipsos-Sopra Steria publicada pelo jornal francês “Le Monde”, Emmanuel Macron ficou com 23,7% dos votos no 1º turno e Marine Le Pen, com 21,7%. Jean-Luc Mélenchon e François Fillon teriam ficado com 19,5%, conforme G1.

Já a projeção do instituto Kantar Sofres aponta empate entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen no 1º turno da eleição presidencial francesa. De acordo com o instituto, os candidatos lideraram a votação com 23%.

O Ministério do Interior divulgou resultados parciais com 28 milhões de votos contados. Le Pen tinha, 23,60%; Macron, 22,78%; Fillon, 19,69%; Mélenchon, 18,43%.

Cerca de uma hora após o fim da votação, François Fillon já havia admitido derrota e declarou apoio a Macron.

Le Pen discursou a seus apoiadores e disse que esta eleição é histórica e que a França não terá mudança com o “herdeiro de Hollande”, referindo-se a Macron. Ela criticou a globalização e afirmou que é hora de os franceses se tornarem livres da elite arrogante. A sobrevivência da França está em jogo, disse, ao pedir que os “patriotas” a apoiem.

A última vez que a esquerda deixou de ter um candidato no segundo turno foi nas eleições presidenciais de 2002, disputadas por Jacques Chirac (conservador) e Jean-Marie Le Pen (extrema direita e pai da atual candidata Marine Le Pen).

“É uma derrota moral para a esquerda”, afirmou Benoît Hamon, candidato derrotado do Partido Socialista (PS).

Como informa a rede BBC, o segundo turno, que será realizado no próximo dia 7 de maio, permanece cercado de expectativa.

Isso porque o resultado pode levar ao enfraquecimento ou até mesmo ao fim da União Europeia e da zona do euro. Macron defende a permanência da França no bloco. Já Le Pen apoia o chamado Frexit — a saída do país do mercado comum.

O tema teve destaque na campanha em meio à discussão sobre o Brexit, a saída do Reino Unido da UE. A crise migratória no continente também levanta debates sobre a proteção das fronteiras. A França, juntamente com a Alemanha, é um dos países fundadores da UE e chamada de “locomotiva” da construção do bloco.

Campanha tumultuada

A campanha presidencial foi tumultuada desde o início, quando as primárias partidárias tiveram resultados inesperados, afastando os principais favoritos à presidência – o conservador ex-presidente Nicolas Sarkozy e ex-primeiro-ministro Alain Juppé (do Republicanos) e Manuel Valls (Partido Socialista).

A ascensão do movimento “En Marche!”, de Macron, e escândalos de corrupção envolvendo Marine Le Pen e François Fillon também contribuíram para tumultuar a campanha.

Tiroteio

Um dos episódios marcantes no fim da campanha eleitoral dos candidatos foi o ataque na Avenida Champs Élysées, que deixou um policial morto e dois feridos na última quinta-feira (20).

O episódio na avenida mais famosa da capital francesa colocou a segurança nacional no topo da agenda. Candidatos com pontos de vista mais duros sobre segurança e imigração, como Len Pen e Fillon, podem ter ganhado um impulso maior entre alguns grupos de eleitores.

Segurança durante eleição

Um colégio eleitoral na cidade de Besançon, no leste da França, foi evacuado neste domingo (23) depois que um veículo roubado foi abandonado com o motor em funcionamento enquanto a votação estava ocorrendo, informou o Ministério do Interior francês.

O carro tinha placa falsa, disse um funcionário do ministério à agência de notícias Reuters. O homem também acrescenta que a decisão para evacuar o local foi tomada enquanto especialistas em desarme de bomba eram chamados para examinar o veículo.

Autoridades de segurança da França disseram que há risco de ataques durante a eleição, como os que mataram mais de 230 pessoas nos últimos dois anos na França. Mais de 50 mil unidades de segurança policial e de elite foram mobilizadas para o serviço eleitoral em todo o país.

23/04/2017