Funcionário contrário à paralisação tem celular tomado e é agredido por manifestantes

Supervisor de tecnologia de metalúrgica filmava grupo que segurava cartaz da Força Sindical na Zona Sul de São Paulo. Polícia Civil registrou caso como lesão corporal; imagens serão analisadas para identificar agressores.

Um vídeo mostra o momento em que um funcionário de uma metalúrgica da Zona Sul de São Paulo, contrário à paralisação desta sexta-feira (28) no país, tem o celular tomado por um manifestante, cai no chão e, em seguida, é agredido por outro com um cartaz. A vítima teve ferimentos no rosto e no pescoço. A Polícia Civil registrou o caso como lesão corporal e deverá analisar as imagens para tentar identificar os agressores.

O G1 teve acesso a filmagem da agressão. Ela foi gravada nesta manhã por uma câmera de segurança da Metalúrgica Cartec, que fica na Avenida Presidente Wilson, no Ipiranga. A empresa, que produz peças tubulares para motores de caminhões e tratores, possui cerca de 170 empregados, mas somente cinco conseguiram entrar para trabalhar.

Um desses funcionários é o supervisor de tecnologia da informação que aparece nas cenas. Elas mostram que ele usa o celular para filmar manifestantes que carregavam pneus, um galão e um cartaz. Outros vídeos obtidos feitos por funcionários da empresa mostram os manifestantes usando os objetos para montar barricadas com fogo perto da Avenida do Estado.

Procurado pela reportagem, o homem, que tem 32 anos de idade, não quis gravar entrevista e ainda pediu para que seu nome e rosto não fossem mostrados. Apesar disso, informou que o grupo que protestava era ligado à Força Sindical. O G1 não conseguiu localizar a assessoria de imprensa da Força para comentar o assunto.

Celular e cartaz

O vídeo que gravou a agressão ao funcionário da Cartec mostra um homem com uma jaqueta azul e boné amarelo. É ele quem toma o telefone do supervisor, que sai correndo atrás dele, escorrega e cai perto na rua, perto de um carro.

A gravação ainda registra o momento em que o empregado é cercado pelos manifestantes. Um deles usa um cartaz para atingi-lo no rosto.

Segundo Daniela Kwast, supervisora administrativa da empresa, o aparelho levado pelo manifestante foi devolvido posteriormente ao empregado, que decidiu registrar boletim de ocorrência no 18º Distrito Policial (DP), Alto da Mooca.

Fogo em pneus

De acordo com a supervisora, o empregado filmava os manifestantes porque queria mostrar que eles estavam impedindo funcionários de entrarem na metalúrgica para trabalhar, além de planejarem incendiar pneus próximo da Cartec.

“Ele estava dentro da empresa. Só queria saber por que os manifestantes estavam carregando os objetos”, disse Daniela à reportagem. No vídeo feito pelo celular do supervisor é possível ouvir o diálogo entre ele e os manifestantes até o instante em que tem o tefefone levado.

Outras gravações mostram manifestantes bloqueando vias com pneus incendiados. Pelas imagens é possível ver a chegada da Polícia Militar (PM) e do Corpo de Bombeiros. Eles tentam apagar as chamas e desobstruir uma via.

29/04/2017