‘Já esperávamos reação de facções’, diz secretário no Ceará

Braço direito do governador do Ceará Camilo Santana (PT), o secretário da Casa Civil Élcio Batista disse nesta segunda-feira, 7, que a série de ataques nas ruas em reação ao endurecimento do sistema prisional já era esperada desde o fim de 2018 pela gestão estadual. “(O governo) sabia que na hora que fizesse uma intervenção mais dura dentro do sistema prisional teria provavelmente reações fora e dentro do sistema”, afirmou ao “Estado”.

Entre as medidas de endurecimento adotadas pelo governo, além do comando da Administração Penitenciária a Luis Mauro Albuquerque, estão ainda a proibição do ingresso de celulares e de visitas íntimas, além da transferência de líderes de facções criminosas. Nesta segunda, o Ceará deu início à transferência de 21 chefes de grupos organizados a presídios federais.

Batista se esquivou ao ser questionado se Albuquerque errou ao declarar que não reconhece as facções e que os presídios deixarão de ser separados segundo os grupos criminosos. De acordo com o secretário da Casa Civil, Mauro, que já foi secretário de Justiça e Cidadania no Rio Grande do Norte, tem “competência técnica e de liderança”.

“O que diz a lei é que existem presos. Ele (Mauro) trata essas pessoas como presos. E vai dar o tratamento que diz o tratamento penal, que reza a lei de Execução Penal”, afirma o braço-direito de Santana. No Ceará, duas facções criminosas se destacam: Comando Vermelho (CV) e Guardiões do Estado (GDE). Até o ano passado, os grupos ligados ao crime organizado eram separados em presídios de acordo com a facção à qual pertenciam.

“Organizamos todas as forças do Estado para que pudéssemos buscar o máximo possível evitar esses ataques. Dentro do sistema prisional, controlamos muito bem”, disse Batista.

Fora do sistema penitenciário, porém, já são seis dias de ataques, com o registro de atentados a órgãos públicos e privados em ao menos 36 municípios de todas as regiões do Ceará. Em Fortaleza, 33 bairros sofreram com os atos. Os ataques, que teriam sido comandados de dentro dos presídios cearenses, atingiram principalmente veículos de transporte público, vans, prédios, fotossensores, lojas, unidades da Polícia Militar, uma passarela e até um viaduto.

08/01/2019